
Hoje eu parei pra pensar um pouco na vida. Parei pra lembrar de momentos bons e momentos ruins pelos quais passei. Ou não passei, talvez; mas tive que passar.
Lembrei daquele medo tolo de criança quando ouve a mãe falar do "homem-do-saco". Pois é, eu nunca saía de perto da segurança da mão dela sobre a minha, porque tinha medo de ser levado por alguém de uns 3 metros de lembrança. Hoje vejo que não era esse o medo que me fazia não querer soltar dela, mas o medo de um dia ter que me acostumar à ideia de enfrentar o mundo sem aquele segurar de mãos que me passava confiança, segurança, carinho e perseverança.
É certo, lembrei também das birras de moleque, quando eu tinha lá meus 6 anos... da gritaria sem fim que eu fazia quando meus pais passavam na frente da Ri-Happy e não compravam aquele carrinho da hot wheels que eu vinha cobiçando há tantos dois anos. E das broncas que eu levava depois.
E todos esses acontecimentos vindo em flashes me davam uma nostalgia tão grande... aquela primeira namorada, que nem sabia que namorava comigo, mas eu gostava muito dela! Ah, que saudades daquele tempo.
Depois vieram as professoras do jardim, do pré, da primeira série... as tias que eu sempre quis saber qual era a delas de nunca irem na casa da vó para comer a macarronada de domingo e mesmo assim se diziam irmãs da minha mãe! Aquilo... aaahhh aquilo! Me deixava urânio de raiva!
Nossa, e os amigos de infância, que há uns bons 12 anos já não tenho mais notícias?! Que saudades das brincadeiras e das brincadeiras tontas! Especialmente destas, das quais eu adorava participar.
Então, e nessa reflexão foram-se boas três ou quatro horas, mas que me pareceram uma vida, de trás pra frente.
E eu percebi como o tempo é cruel e por onde passa, vulgo por todos, deixa suas marcas! Algumas boas, outras ruins... mas ele nunca vai embora sem levar um pedaçinho da gente. E o paradoxo é esse: sentimos como se ele passasse, mas na verdade nós passamos com ele. As marcas tão óbvias? São apenas lembranças, ficaram para trás, junto conosco. Mas nos seguem, lado a lado com o tempo, e não pensam duas vezes antes de invadir nossos dias e, adivinhe: fazer-nos pensar.
E às vezes... podem nos fazer chorar, como se nunca tivesse passado o tempo desde que AQUELA marca ficou. E eu! Eu sempre soube que se olhasse para lágrimas derramadas teria vontade de sorrir... mas apenas hoje descobri que se olhasse para risos há muito dados sentiria vontade de chorar.