quarta-feira, 30 de julho de 2014

Outros rumos


 Andei pensando em algumas coisas dias atrás; nada muito conexo - apenas ideias e pensamentos que vagaram pela consciência sem a intenção de se expressar. Foram muitos, no entanto. Aos poucos a figura toda foi se construindo, mas foi preciso muita tinta e muita reflexão.

Há um tempo atrás havia em mim uma certa dificuldade em enxergar a vida na primeira pessoa, parecia sempre um filme, onde eu via, da plateia, o protagonista ao desenrolar da história. Pouquíssimas pessoas souberam dessa minha maneira de ver a vida.

Vi por muito tempo vilões planejando emboscadas, e a cada passo do protagonista eu apenas torcia para que nada desse errado, mas sentia totalmente distante de mim qualquer controle para salvá-lo, eu apenas me observava... e talvez por ego eu soubesse que nada iria dar errado.

Esse meu jeito de enxergar o mundo acabou no dia que eu vi em minhas mãos a chance de salvar ou acabar com a vida de alguém, e então eu pude realizar a totalidade da potência dos meus atos, e percebi ali que nada mais poderia acontecer sendo apenas observado de camarote, havia acabado o meu jogo perigoso.

Mas eu nunca havia parado para pensar nessa transição, até dias atrás... não que tenha acontecido algo de especial, mas simplesmente bateu-me a consciência plena de minha história, de onde meus passos vieram e para onde eu realmente quero ir.

Talvez seja a tal maturidade batendo na porta, exigindo entrar... afinal não sou mais um garoto de dezesseis anos.

E é engraçado como essa tomada de realidade me fez perceber com mais clareza e certeza os meus objetivos e os caminhos a percorrer para alcançá-los. É engraçado como nossa consciência toma forma de um dia para o outro, apesar das mudanças de fato levarem bem mais tempo, sendo no derradeiro momento que ocorre esse salto de fé em nós. Ou é apenas em mim que acontece isso, vá saber...

Hoje sinto-me protagonista, roteirista, diretor e dono do meu próprio enredo, e pude comparar a peça que escrevo hoje com o que havia escrito antes... parece outra pessoa em meu lugar, outra vida... ou talvez seja apenas a mesma consciência, procurando por outros rumos andar.