segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Proibido chorar...


De uma mãe:

"No dia que nasceu nossa filha, meu marido não sentiu grande alegria, porque a decepção que sentia parecia ser maior do que o grande conhecimento de ter uma filha.

"Ahh, eu queria um filho homem!"
Lamentava meu marido.

Em poucos meses ele se deixou cativar pelo sorriso de nossa linda menina e pela infinita inocência de seu olhar fixo e penetrante. Foi então que ele começou a amá-la com loucura.

Sua carinha, seu sorriso não se apartavam mais dele. Ele fazia planos sobre planos, tudo seria para nossa Marina.

Numa tarde estávamos reunidos em família, quando Marina perguntou a seu pai:

"Papai, quando eu completar quinze anos qual será o meu presente?"

Ele lhe respondeu:

"Meu amor, você tem apenas sete aninhos, não lhe parece que falta muito tempo para essa data?"

E a Marina respondeu:

"Bem papai, você sempre diz que o tempo passa voando, ainda que eu nunca haja visto por aqui."

...

Marina, já com quatorze anos, ocupava toda a alegria da casa, especialmente o coração de seu pai.

Num domingo fomos à igreja.
Marina tropeçou e seu pai de imediato agarrou-a para que não caísse... Já sentados nos bancos da igreja, vimos como ela foi caindo lentamente, e quase perdeu a consciência.

Seu papai agarrou-a e a levou imediatamente para o hospital. Alí permaneceu por dez dias, e foi então que lhe informaram que Marina padecia de uma grave enfermidade que afetava seriamente seu coração.

Os dias foram passando e seu pai renunciou ao trabalho para dedicar-se a Marina. Todavia, eu, sua mãe, decidi trabalhar, pois não suportava ver Marina sofrendo tanto.

Numa manhã, ainda na cama, Marina perguntou ao pai:

"Pai, os médicos disseram que eu vou morrer?"

Seu pai respondeu:

"Não, meu amor. Não vais morrer, Deus, que é tão grande, não permitiria que eu perca o que mais tenho amado neste mundo."

E Marina perguntou:

"Quando a gente morre vai para algum lugar? Pode ver lá de cima a família? Sabes se um dia pode voltar?"

"Bem, filha... Na verdade ninguém regressou de lá e contou algo sobre isso. Porém, se eu morrer, não te deixarei sozinha. Onde eu estiver buscarei uma maneira de me comunicar contigo, e em última instância, utilizaria o vento para te ver."


"O vento, papai? E como você faria?"

"Não tenho a menor ideia filhinha, só sei que se algum dia eu morrer, sentirás que estou contigo quando um suave vento roçar teu rosto e uma brisa fresca beijar tua face."

Nesse mesmo dia à tarde, fomos informados pelos médicos que nossa Marina necessitava de um coração, pois do contrário ela só teria mais vinte dias de vida.

Um coração!

Onde conseguir um coração?!

Um coração!!

Onde, meu Deus?!

Nesse mesmo mês, Marina completaria seus quinze anos. E foi numa sexta-feira à tarde quando conseguiram um doador. Foi operada e tudo saiu bem.

Marina permaneceu no hospital por quinze dias e em nenhuma só vez seu pai foi visitá-la. Todavia, os médicos lhe deram alta e ela foi para casa.

Ao chegar em casa, com ansiedade, Marina gritou:

"Papai! Papai! Onde tu estás?"

Eu saí do quarto com os olhos molhados de lágrimas e disse-lhe:

"Aqui está uma carta que seu pai deixou para você:"

"Marininha, filha do meu coração: no momento em que ler minha carta, já deve ter quinze anos e um coração forte batendo em teu peito. Essa foi a promessa que me fizeram os médicos que te operaram. Não pode imaginar nem remotamente quanto lamento não estar ao teu lado neste instante.
Quando soube que morrerias, decidi dar-te a resposta da pergunta que me fizestes quando tinhas sete aninhos e a qual não respondi.
Decidi dar-te o presente mais bonito que ninguém jamais faria por minha filha... Te dou de presente minha vida inteira sem nenhuma condição, para que faças com ela o que quiser. Vive, filha! Te amo com todo o meu coração!!"

Marina chorou por todo o dia e toda a noite. No dia seguinte foi ao cemitério e se sentou sobre a tumba de seu pai. Chorou tanto como ninguém poderia chorar... E sussurrou:

"Papai, agora posso compreender quanto me amavas.
Eu também te amava e, ainda que nunca tenha dito, agora compreendo a importância de dizer-te 'Te amo'. E te pediria perdão por haver guardado silêncio tantas vezes."

Nesse instante as copas das árvores balançaram suavemente; caíram algumas folhas e flores e uma suave brisa roçou a face de Marina. Ela olhou para o céu, tentou enxugar as lágrimas de seu rosto, se levantou e voltou para casa."

Se esta mensagem tocou seu coração, mostre a seus melhores amigos como sinal de tua amizade.

Por favor nunca deixes de dizer: "Te amo"...
Não sabes se esta será a última vez.

Um comentário:

Fernanda Luchiari disse...

Olá, querido, quantas saudades que não cabem aqui.
Agora estou aprendendo, pouco a pouco,a me virar com mais esse filhote de tecnologia- finalmente, né!
Passarei aqui frequentemente, para ler as belezuras que publicas. Até porque nossos gostos coincidem. Será um prazer. :D Espero vê-lo em breve. Beijos!