sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Aprendizados

2020 chegou, e com ele vieram alguns dias estranhos. Algumas certezas que tinha regrediram à qualidade de dúvida. Ou evoluíram para a dúvida, ainda não sei se foi ou não melhor assim.

Quando acordei hoje e olhei para o lado ela não estava mais ali. Havia ao meu lado as suas coisas, seu colchão, havia tanto dela no quarto que inclusive a ausência dela se fazia presente.

Mas dessa vez é diferente, há uma serenidade que permeia minha estante.

Arrumei minhas coisas, joguei fora o que não se fazia mais necessário para mim, resgatei documentos e itens importantes.

Vejo nas aulas de karatê a continuação de um legado que este ano completará 21 anos para mim. Lá, no tatame, encontro-me com a paz que eu nunca deveria ter deixado partir. Meus problemas, minhas preocupações e inseguranças ficam do lado de fora da academia, ali eu me permito habitar.

Retomo também as atividades acadêmicas, iniciando minha segunda pós graduação. Tornar-me-ei mestre em engenharia, alinhando meus objetivos profissionais com meus objetivos existenciais.

Hoje, enfim, sei qual é o caminho que devo seguir. A ausência de pessoas queridas não me dói mais tanto quanto em outros tempos, porque eu aprendi a me completar sem companhia. Se alguém quiser caminhar ao meu lado ótimo, belo. Se não quiser, ótimo e belo também, porque eu me sinto em plenitude comigo mesmo, completo. O que me trouxerem transbordará minha vida, mas não necessito de mais ninguém para me completar.

E assim, finalmente, posso ver com serenidade as estrelas pela janela do meu quarto sem que seja necessário pedir algo. Não há desejos afetivos, não há desejos materiais - hoje aprendi a apreciar o caminho mais do que ter esperança na chegada. Hoje aprendi a apreciar o perfume do jardim sem reduzir dele sua flora.

O que me move é fazer o melhor que posso enquanto não tenho condição de fazer melhor ainda, e trabalhar arduamente para alcançar fazeres melhores.

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