sábado, 6 de junho de 2020
Felicidades diárias
Os dias têm sido diferentes. Há uma... calmaria, por assim dizer, nos meus pensamentos. Não sei explicar, simplesmente sinto que as coisas têm sido mais tranquilas. Reencontrei pessoas queridas (virtualmente, óbvio) e sinto que profissionalmente estou evoluindo.
Consegui aplicar meus conhecimentos do MBA em Gestão de Negócios para ajudar um grande amigo em um momento de necessidade, de indecisão, e isso me deixou extremamente feliz. De verdade, a melhor coisa do mundo é conseguir melhorar o mundo pra alguém.
Semana que vem voltam as aulas de mestrado em engenharia mecânica. Estou desenvolvendo um modelo matemático para simular o sistema respiratório do corpo humano programado em Python. Parece complicado, né? Pois é mesmo. Ainda não sei programar em Python, mas estudei detalhadamente o projeto, fiz a modelagem matemática com algumas simplificações e acredito que seja apenas uma questão de me acostumar. Verei como isso se dará. Pelo menos a parte fisiológica, que achei que seria meu maior empecilho, está sendo desenvolvida sem muitas dificuldades. Agradeço ao excelente orientador que tenho na sugestão de artigos confiáveis para o aprendizado desses temas.
Adiciono a isso a volta aos treinos do karatê - acho que dessa vez alcançarei o 1° dan, e será o início de uma nova fase na minha jornada, iniciada em 1999. Faz muito tempo que recebi o 2° kyu do meu mestre, e desde então estivemos bastante empolgados em progredir rapidamente para o 1° dan, mas sempre senti que faltava alguma coisa em mim. Sempre vi os alunos graduados como exemplos de técnica e de postura. Eu treinava duro, sempre busquei aprimorar a técnica ao máximo, mas nunca fui um exemplo de ser humano a ser seguido. Acho que após 10 anos de amadurecimento eu tenha hoje uma postura perante a vida com a qual me sinto bem e talvez seja o esperado de um faixa preta.
Voltei a editar vídeos e mexer com imagens, coisas que sempre amei fazer como hobby, especialmente quando se tratava de homenagear alguém importante para mim. A sensação de ver um sorriso no rosto de quem a gente gosta causado por algo que fizemos é indescritível.
Hoje conversei com minha avó materna. Fui entregar alguns salgados pra ela e vi que ela estava bem triste. Sentamos na sala (distantes uns 2 metros, claro, e de máscara) e apenas ouvi o que ela tinha a dizer. Desabafou, relembrou o passado árduo que teve, conversamos sobre absolutamente tudo. Ela tem 80 anos, e ver ela falar tão sabiamente sobre tudo o que já passou me transborda de experiências. Sou engenheiro, especialista em gestão de negócios, mestrando em bioengenharia e toda essa parafernalha que hoje em dia dá dinheiro. Minha avó sequer completou o ensino fundamental. Mas quando sento ao seu lado, para ouvir as experiências que ela teve, o aprendiz sou eu. Quando finalmente saí de lá, para participar do treino de karatê, havia um sorriso no rosto da minha avó. Ouvir ela dizer "muito obrigada, você me ajudou muito", e saber que eu fiz o dia dela melhor me faz bem.
Enfim, sinto que estou fazendo pequenas diferenças nas vidas de pessoas que são gigantes para mim, e isso me anima, isso me dá a sensação de ter um propósito na vida. Afinal, a pessoa que estou me tornando, dia após dia, é fruto dessas diversas pessoas que interagiram comigo durante a minha jornada.
Isso, esse pequeno pedaço da minha vida que aqui está, é o que chamo de felicidade.
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